Cadê?
Eu me perdi. Procuro em "Achados e Perdidos" da consciência de outras pessoas e não me acho. Tento me encontrar nos escombros da minha mente, como quem procura alívio com uma navalha rasgando a pele... Seu nome é desespero. Sinto-me desesperada por tanto me buscar e não me encontrar. Muitas vezes estive aqui e todas as pretéritas vezes em algum momento eu conseguia me achar. Desta vez algo mudou, não sei se é a idade avançada ou o peso da cobrança da sociedade nos ombros: por acaso, alguém me viu por aí?
Sou uma mulher de 28 anos, com cabelos cacheados e loiros, com um rosto lunar e uma alma cansada por já ter vivido experiências que ninguém acreditaria.
Tenho vagado por ruas vazias e conversas fiadas em busca de encontrar a Ana. Ela costumava ser tão acessível, sempre disposta a ajudar as outras pessoas e mergulhar na vasta escuridão de sua imaginação. Mas já faz algum tempo que tem tido um bloqueio criativo e tem carregado consigo um questionamento brutal que diz que ela não é capaz.
Perguntei por aí se alguém viu a Ana e os depoimentos são sempre os mesmos: "A Ana, nossa, ela sumiu. Que saudades das conversas dela. Tão criativa. Tão inteligente. O que aconteceu com ela?!" e a própria Ana lança a pergunta: O que aconteceu comigo? Em qual achados e perdidos eu devo estar?
Por tantas casas e tantas camas passei, sem imaginar que pudesse me perder... Será que me perdi na psiquiatria? Me perdi ao me silenciar tantas vezes em busca de uma falsa conciliação que me faria apenas estremecer por dentro? Será que existe a possibilidade de vagar por aí sem existir? É esse meu sentimento. Eu não me reconheço mais e não sei se isso significa crescimento ou amadurecimento ou por fim, um apagamento. Será que eu me apaguei? E se sim, como eu poderia me reescrever?
Eu tenho buscado em literaturas e tutoriais como poderia me reencontrar. Como poderia voltar a ser eu mesma? Aliás, quem seria a "Ana mesma"? Uma louca varrida? E se os loucos também amam, por que a Ana não se ama? Auto amor é muito complicado e dizem que sem se amar, você não aprende a amar o próximo... Bom, que defesa a Ana teria para isso? Se ora fala em primeira pessoa e ora fala em terceira pessoa e mesmo assim nunca se encontra. Como se amaria sem se encontrar? Seria possível amar a ausência? São tantos questionamentos e tantas dúvidas pra nenhuma resposta.
A psicóloga insiste em dizer que eu não posso ocupar o lugar de fala dela e começar a questioná-la. "MAS E AÍ?" É o que eu insisto em lhe dizer. Eu não sei cadê a Ana... se você a encontrar no achados e perdidos da sua vida, por favor, entre em contato conosco (as múltiplas personalidades da Ana) pois cansamos de procurar.
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