O Couvert do Desespero
Ser artista no Brasil é um grande experimento social de paciência e sobrevivência. Uma experiência quase espiritual, onde o indivíduo aprende, na marra, a meditar enquanto espera resposta de um bar que visualizou a mensagem há seis dias e não disse nem um “oi” de volta. Talvez estejam ocupados demais decorando a frase motivacional em neon na parede do banheiro ou decidindo se o drink da casa vai ter licor de jabuticaba com espuma de gengibre ou maracujá defumado. Prioridades, né? E se, por um milagre que só os orixás explicam, o artista consegue fechar um show, lá vem a negociação do couvert artístico. "Ai, mas a casa não cobra couvert, tá? A gente trabalha no sistema da boa vontade do público.” Boa vontade do público. Só quem já tocou duas horas para uma mesa de seis amigos bêbados que pagaram uma long neck em PIX parcelado sabe o que essa frase significa. Porque as pessoas pagam R$ 70 num hambúrguer que vem com uma fatia de pepino gourmet, mas dar R$ 10 pro músico? Jamais! Dá ...