Reality Show Infinito
A vida moderna é um grande reality show onde todo mundo corre desesperado atrás de uma mala cheia de dinheiro que ninguém sabe quem colocou lá. E o mais bizarro: a maioria esquece de perguntar se precisa mesmo dessa mala. Acordamos cedo, engolimos café requentado, enchemos o pulmão com a fumaça de um ônibus lotado e chamamos isso de “construção de um futuro”. Mas futuro pra quem? Pro banco que lucra com nossos boletos? Pro algoritmo que decide se hoje somos relevantes ou invisíveis? Ou para aquele chefe que nos chama de “colaborador”, mas nos trata como toner de impressora: caros, descartáveis e só lembrados quando acabam?
No fundo, nos vendem a ilusão de que somos especiais, enquanto nos apertamos em filas de emprego como figurantes mal pagos no espetáculo do progresso. O sucesso virou uma religião que promete a salvação através de reuniões no Zoom e metas inalcançáveis. “Acredite nos seus sonhos!”, gritam os coachs, sem dizer que o maior truque do capitalismo foi transformar sonho em produto e gente em código de barras. Mas qual é a medida do valor de um ser humano? O cargo que ocupa? O apartamento financiado em trinta anos? O tanto de dias que aguenta sem surtar? Quem determina o tamanho da nossa importância? E, mais importante: por que aceitamos que nos mediocrizem ao ponto de celebrarmos um vale-refeição como se fosse um troféu de guerra?
Ainda assim, entre os escombros desse grande teatro, há lampejos de lucidez. Como quando paramos para rir de uma bobagem, quando choramos sem pedir desculpa ou quando largamos o celular para olhar o céu e lembrar que ninguém sabe direito o que está fazendo aqui. No meio desse caos engravatado, talvez a verdadeira vitória seja se recusar a ser apenas mais um boneco nesse tabuleiro de vaidades. Não que a gente vá mudar o mundo, mas ver o jogo de fora já é um passo enorme. Porque, no fim das contas, o melhor tipo de sucesso pode ser aquele que ninguém consegue postar no LinkedIn.
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